Machado de Assis é notoriamente o escritor brasileiro mais importante de todos os tempos. Seus livros, publicados no século XIX, são ainda referência para a literatura mundial – prova disso são as novas traduções de seus livros que surgem de tempos em tempos, como a lançada pela Penguin (EUA) em junho deste ano, e os inúmeros trabalhos que analisam suas obras.

 

Pensando nisso, convidamos o professor de Literatura Brasileira na USP Hélio de Seixas Guimarães para indicar cinco livros sobre Machado de Assis. Hélio é editor da ‘Machado de Assis em linha: revista eletrônica de estudos machadianos’ e autor de diversos livros sobre o escritor, além de organizador da antologia “O sino e o relógio”, em parceria com Vagner Camilo, e autor do posfácio da nossa edição de “Dom Casmurro”.

 

  1. Machado de Assis – Estudo crítico e biográfico, de Lúcia Miguel Pereira. Publicado em 1936, o livro conjuga biografia e crítica e é uma das obras mais influentes até hoje escritas sobre Machado de Assis. Nesse estudo, Lúcia Miguel Pereira praticamente construiu a visão moderna do escritor.
  2. Machado de Assis (1935-1958), de Augusto Meyer. Essa reunião de ensaios curtos, com muitos insights sobre a escrita machadiana, mostra as mudanças da visão do escritor e crítico modernista sobre Machado de Assis, do incômodo e irritação da década de 1930 à profunda admiração.
  3. Machado de Assis – um mestre na periferia do capitalismo, de Roberto Schwarz. O ensaio sobre Memórias póstumas de Brás Cubas analisa com rigor ímpar o modo como o escritor mimetizou em sua escrita as práticas abjetas da elite brasileira e os modos de participação do país na dinâmica do capitalismo global.
  4. Escritor por escritor – Machado de Assis segundo seus pares (1908-2008). Os dois volumes organizados por Ieda Lebensztayn e por mim (com o perdão da autorreferência) registram o impacto da figura e da obra machadianas sobre a literatura brasileira, reunindo textos de mais de cem escritores, de Rui Barbosa a Milton Hatoum.
  5. Escritos de liberdade – Literatos negros, racismo e cidadania no Brasil oitocentista, de Ana Flávia Magalhães Pinto. Com muita argúcia e precisão, esse livro posiciona Machado de Assis entre intelectuais negros dos oitocentos, como Ferreira de Menezes, Luiz Gama e José do Patrocínio.

 

Bônus:

Jorge Luis Borges: um escritor na periferia, de Beatriz Sarlo. Embora não contenha uma linha sobre Machado de Assis, o ensaio da crítica argentina sobre Borges trata das tensões entre o escritor nacional e o gênio universal, que também rondam a figura do escritor carioca.

The Posthumous Memoirs of Brás Cubas. A tradução para o inglês de Flora Thomson-DeVeaux permite enxergar detalhes da arte machadiana, que podem passar despercebidos para o leitor do romance em português. A edição da Penguin traz um verdadeiro guia sobre a trajetória dos escritos de Machado de Assis em inglês.