Nos últimos anos, o debate sobre representatividade tem sido ampliado em todos os níveis da cultura. É como se houvesse uma sinalização de que o mundo não é apenas composto de homens, brancos, héteros – essas figuras que, a grosso modo, foram sempre as vozes que dominaram as narrativas universais. Vozes dissidentes dessa narrativa majoritária manifestaram-se, ao longo da história, como que atestando a existência de pessoas que não cumpriam exatamente os pré-requisitos para serem ouvidas. É pelo reconhecimento dessas diversas vozes, e pela importância crucial que elas têm na construção da cultura, que temos visto um movimento em busca de livros escritos por mulheres, ou por autores de países fora do eixo Europa-EUA, ou simplesmente por pessoas que de algum modo não se encaixam no padrão de gênero dominante – o que aqui estamos chamando de QUEER.

 

Queer, essa palavra que originalmente significava “excêntrico”, “insólito”, é um termo que no inglês era usado de um modo bastante amplo para designar pessoas que não seguem o modelo de heterossexualidade ou do binarismo de gênero. O termo servia para representar gays, lésbicas, bissexuais, pansexuais, polissexuais, assexuais e, frequentemente, também as pessoas não-binárias, transgêneras ou transexuais, de forma análoga à sigla LGBTQ+. O que é importante entender é que, se originalmente “queer” tinha uma conotação pejorativa, usada quase como xingamento, com o fortalecimento da militância LGBT passou a ser incorporado por essa comunidade e ganhou força. Se antes a palavra empurrava essas pessoas para a margem, hoje ela as resgata, de uma maneira orgulhosa, colocando-as no centro de discussões e de produções culturais – como a literatura queer, que é nosso objeto hoje.

 

Para conversar um pouco sobre isso e tentar entender o que é esse grande guarda-chuva da “literatura queer”, Ana Lima Cecilio, editora da Carambaia, conversou com a Cecilia Floresta, editora, tradutora e sobretudo, poeta (autora do livro Poemas crus, pela editora Patuá); com o Samir Machado de Machado, escritor, roteirista, designer gráfico, autor de O professor de botânica, Quatro soldados, Homens elegantes, vencedor do prêmio Açorianos de melhor romance, e de Tupinilândia, seu livro mais recente; e com Kaio Cassio, assistente editorial na Carambaia, e se considera um curioso e um leitor da tal literatura queer. A conversa contou também com a participação do escritor Marcelino Freire.

 

Ouça a conversa na íntegra abaixo:

 

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