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Panaït Istrati

Panaït Istrati nasceu em Brǎila, na Romênia, filho de uma lavadeira e um contrabandista grego de tabaco que abandonou a família quando ele ainda não tinha completado um ano. Teve pouca instrução formal, mas lia vorazmente enquanto vivia de trabalhos temporários nas ruas. Saiu de casa aos 12 anos e, adepto do socialismo, se engajou nas reivindicações dos estivadores de sua cidade, organizando uma greve. Seus primeiros escritos publicados foram artigos de teor político em publicações operárias. Em seguida passou anos perambulando pelas regiões do Bálcãs e do norte da África, até conseguir internar-se num sanatório suíço para tratar da tuberculose. A leitura mais marcante nesse período foi a dos dez volumes da saga Jean-Christophe, do pacifista Romain Rolland, que o levou a treinar a escrita em francês, língua que adotaria para seus escritos literários. Mais tarde, viria a traduzir todos os seus livros para o romeno.

Com sua escrita concisa e eloquente, assim como seus aspectos aparentemente exóticos, Istrati virou fenômeno literário na Europa, com ecos pelo resto do mundo, incluindo o Brasil, onde foi lido em francês, como revela o posfácio do jornalista Fábio Bonillo. Por aqui, conquistou leitores como Sérgio Buarque de Holanda, Cecília Meireles, Mário de Andrade e Clarice Lispector. Sobre Kyra Kyralina, Sérgio Buarque de Holanda escreveu: “A leitura desse livro nos transporta a um ambiente e a um estado de alma onde todas as coisas se refletem em tons imaginários e cujo colorido nos traz à memória as histórias maravilhosas das Mil e uma noites”. Adalgisa Nery elegeu o romance um dos vinte livros que ela salvaria de um dilúvio.

Israti encarnou o maltrapilho errante, o haiduc (o típico marginalizado da Romênia), figura na qual se inscreve a ideia do “homem que não adere a nada”, numa luta diária pela prevalência de certos valores morais. No prefácio reproduzido nessa edição, Romain Rolland ressalta em Istrati “a determinação de espírito e (...) uma alegria trágica, a alegria do contador de histórias que liberta a alma oprimida”.

Estabelecido como escritor, Istrati foi convidado em 1927 a visitar a União Soviética por ocasião do aniversário de dez anos da revolução bolchevique, o que resultou numa grande decepção diante do regime stalinista. Tornou-se, antes de autores como Arthur Koestler, André Gide e George Orwell, o primeiro intelectual socialista a denunciar em livro os desvios totalitários soviéticos. Embora endossadas por companheiros de militância como Victor Serge, as críticas de Istrati lhe valeram condenações e perseguições do Partido Comunista Francês e dos militantes comunistas romenos, o que contribuiu para o ostracismo em que sua obra mergulhou nas décadas seguintes. Isolado, Istrati sucumbiu à tuberculose num sanatório em Bucareste em 1935.

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Kyra Kyralina: As narrativas de Adrien Zograffi

Panaït Istrati

Disponível: Em estoque

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Ficha Técnica

Dimensão 12 x 18cm
Volume 1
Editora Carambaia
Idioma Português
ISBN 978-85-69002-35-2
Número de páginas 184
Peso 195 gramas
Ano de publicação 2018
Acabamento Capa dura com meia-casaca em tecido
Tiragem 1.000

Saiu na imprensa

Folha de São Paulo - Leia trecho de 'Kyra Kyralina', do romeno conhecido como 'Górki dos Bálcãs' - 04/03/2018

Sinopse

Um jovem, criado entre o rigor do pai e os mimos da mãe e da irmã – que usavam dos mais engenhosos artifícios para levar uma vida plena de prazeres – vê seus dias de conforto se diluírem pela fúria, arrebatadora e inevitável, do provedor da casa. É esse o ponto de partida de um delicioso romance de viagem, cujo protagonista, o jovem Stavro, passará a buscar com a mesma paixão a irmã Kyra, de quem foi brutalmente separado, e a própria sobrevivência.


 


 


Vivendo de pequenos empregos em uma região em constante transformação – a dos Bálcãs na passagem do século XIX para o XX –, Stavro, encarnação do vagabundo errante, terá a vida narrada por Adrien Zograffi, alter-ego do escritor romeno de expressão francesa Panaït Istrati (1884-1935), cuja narrativa minuciosa sobre as personagens de vários países e regiões tornou-se um fenômeno literário, conquistando leitores de todo o mundo.


 


O livro


A história da publicação de Kyra Kyralina, em 1923, traz em si a marca da violência poética característica da obra de Panaït Istrati. Dois anos antes, tuberculoso e sem ter conseguido levar a público seus escritos, ele havia tentado suicídio em Nice, na França, cortando a própria garganta. Entre seus pertences foi encontrada uma carta dirigida ao francês Romain Rolland, prêmio Nobel de Literatura de 1915. A missiva chegou até o destinatário, que se aproximou do romeno, fascinado por sua vida de aventura e por sua capacidade de observação dos homens das ruas e dos campos, na qual encontrou “o tumulto do gênio”. Para Rolland, Istrati era um “Górki dos Bálcãs”, um “contador de histórias nato”. O francês o incentiva a publicar parte de suas aventuras extraordinárias e assim nasce Kyra Kyralina, o primeiro da série de romances protagonizada por seu alter-ego, o errante Adrien Zograffi.


 


Istrati visita em suas histórias o caldeirão étnico dos últimos anos do Império Turco Otomano, tornando-se um observador raro e minucioso da transição do século XIX para o XX nas bordas da Europa. Entre outros aspectos incomuns para a época de Kyra Kyralina está também o fato de ser protagonizado por um personagem homossexual. Nele o alter-ego Zograffi é o condutor da narrativa, mas a história é a de um feirante sem lar, Stavro, “vigarista honesto” que vive desde a infância saltando de situação em situação, ora encontrando protetores e aliados, ora sendo explorado, e sempre à procura da irmã, Kyra, provavelmente aliciada como cortesã em algum lugar dos Bálcãs. Os personagens – que vão da mãe libertina e do pai brutal até vagabundos e senhores amorais – falam grego, romeno, armênio e turco, e as deambulações chegam até a Ásia Menor. À moda dos contos orientais, a narrativa se alterna em episódios interligados.


 


O autor


 


Panaït Istrati nasceu em Brǎila, na Romênia, filho de uma lavadeira e um contrabandista grego de tabaco que abandonou a família quando ele ainda não tinha completado um ano. Teve pouca instrução formal, mas lia vorazmente enquanto vivia de trabalhos temporários nas ruas. Saiu de casa aos 12 anos e, adepto do socialismo, se engajou nas reivindicações dos estivadores de sua cidade, organizando uma greve. Seus primeiros escritos publicados foram artigos de teor político em publicações operárias. Em seguida passou anos perambulando pelas regiões do Bálcãs e do norte da África, até conseguir internar-se num sanatório suíço para tratar da tuberculose. A leitura mais marcante nesse período foi a dos dez volumes da saga Jean-Christophe, do pacifista Romain Rolland, que o levou a treinar a escrita em francês, língua que adotaria para seus escritos literários. Mais tarde, viria a traduzir todos os seus livros para o romeno.


 


Com sua escrita concisa e eloquente, assim como seus aspectos aparentemente exóticos, Istrati virou fenômeno literário na Europa, com ecos pelo resto do mundo, incluindo o Brasil, onde foi lido em francês, como revela o posfácio do jornalista Fábio Bonillo. Por aqui, conquistou leitores como Sérgio Buarque de Holanda, Cecília Meireles, Mário de Andrade e Clarice Lispector. Sobre Kyra Kyralina, Sérgio Buarque de Holanda escreveu: “A leitura desse livro nos transporta a um ambiente e a um estado de alma onde todas as coisas se refletem em tons imaginários e cujo colorido nos traz à memória as histórias maravilhosas das Mil e uma noites”. Adalgisa Nery elegeu o romance um dos vinte livros que ela salvaria de um dilúvio.


 


Israti encarnou o maltrapilho errante, o haiduc (o típico marginalizado da Romênia), figura na qual se inscreve a ideia do “homem que não adere a nada”, numa luta diária pela prevalência de certos valores morais. No prefácio reproduzido nessa edição, Romain Rolland ressalta em Istrati “a determinação de espírito e (...) uma alegria trágica, a alegria do contador de histórias que liberta a alma oprimida”.


 


Estabelecido como escritor, Istrati foi convidado em 1927 a visitar a União Soviética por ocasião do aniversário de dez anos da revolução bolchevique, o que resultou numa grande decepção diante do regime stalinista. Tornou-se, antes de autores como Arthur Koestler, André Gide e George Orwell, o primeiro intelectual socialista a denunciar em livro os desvios totalitários soviéticos. Embora endossadas por companheiros de militância como Victor Serge, as críticas de Istrati lhe valeram condenações e perseguições do Partido Comunista Francês e dos militantes comunistas romenos, o que contribuiu para o ostracismo em que sua obra mergulhou nas décadas seguintes. Isolado, Istrati sucumbiu à tuberculose num sanatório em Bucareste em 1935.


 


O projeto gráfico


 


O projeto gráfico desta edição, elaborado pelo Estúdio Margem, lembra uma caderneta de viagem, referindo-se à errância do escritor e de seus personagens. Elementos geométricos marcam as aberturas de capítulos, inspirados em mapas da cartografia otomana, com suas linhas e pontos de fuga. A capa, em tecido vinho e gravação em dourado, retoma as cores das vestimentas das populações balcânicas na época em que se passa o romance.


 


Tradução: Erika Nogueira


Posfácio: Fábio Bonillo


Projeto gráfico: Estúdio Margem

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