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Aharon Appelfeld

Falecido em janeiro de 2018, o premiado escritor israelense Aharon Appelfeld foi uma das vozes mais contundentes da literatura judaica, ao colocar o Holocausto no centro de sua obra. Meu pai e minha mãe, publicado em 2013, quando o autor tinha 81 anos, leva o leitor a um local mágico de sua infância, à beira do Rio Prut, nos Cárpatos, onde passou as férias de verão com os pais, pouco antes da eclosão da Segunda Guerra Mundial.
Nascido em 1932 próximo de Czernowitz, então Romênia, hoje Ucrânia, Aharon Appelfeld tinha 8 anos quando sua cidade foi tomada pelos nazistas, a mãe foi assassinada, e ele e o pai, deportados para um campo de trabalhos forçados – aonde chegaram depois de uma marcha de dois meses. Em 1942, Aharon conseguiu fugir e passou os três anos seguintes vivendo numa floresta, adotado por um bando de criminosos. Resgatado pelos soviéticos, foi para um campo de refugiados na Itália e emigrou para Israel em 1946. Foi ali que, em 1957, reencontrou o pai, que também sobrevivera ao Holocausto. Além de Meu pai e minha mãe, Appelfeld publicou outros 40 livros, todos escritos em hebraico, língua que aprendeu a partir dos 14 anos.

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Meu pai, minha mãe

Aharon Appelfeld

Disponível: Em estoque

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Ficha Técnica

Dimensão 15 x 23,5 cm
Volume 1
Editora Carambaia
Idioma Português
ISBN 978-85-69002-52-9
Número de páginas 232
Peso 418 gramas
Ano de publicação 2019
Acabamento Capa dura com verniz

Sinopse


Memória e história se misturam e ao mesmo tempo se esquivam no relato semiautobiográfico Meu pai, minha mãe, de Aharon Appelfeld (1932-2018), lançamento do selo Ilimitada da CARAMBAIA. O romance, originalmente publicado em 2013, é uma das últimas obras do escritor que integra a linha de frente da moderna literatura israelense – ao lado de nomes como Amos Oz e David Grossman. Por seu estilo original e pela abordagem oblíqua dos temas fundamentais do judaísmo nos séculos XX e XXI, Appelfeld ocupa um lugar único entre seus contemporâneos. O romancista Philip Roth, um de seus maiores admiradores e corresponsável pela publicação de seus livros nos Estados Unidos, o definiu como “um autor deslocado de obras deslocadas, que soube se apossar de modo inconfundível do tema da desorientação”.


Appelfeld filtra com sua história pessoal a diáspora judaica, a perseguição nazista e a fundação de Israel – história marcada, aos 8 anos, pelo assassinato da mãe seguido de uma fuga que o levou a se juntar a um bando de ladrões de cavalos e ao trabalho como serviçal de uma prostituta, até chegar à Palestina, dois anos antes da criação de Israel, sem família e sem idioma. Meu pai, minha mãe retoma uma fase anterior, idílica mas assombrada pelo medo, da infância do escritor. O livro se passa em 1938 e narra o mês de veraneio de uma família da burguesia judaica às margens do rio Pruth, numa região que havia sido alguns anos antes parte do Império Austro-Húngaro.


Pai, mãe e um filho de exatos 10 anos e 7 meses, chamado Erwin (nome de batismo do escritor), atravessam seus dias entre horas dedicadas à natação e o convívio com outros judeus em férias. São momentos de tranquilidade, em que a iminência de uma guerra e do acirramento da violência contra os judeus é insistentemente subestimada. Num dado momento a mãe de Erwin desabafa: “Tenho que admitir que não estou satisfeita com o fato de ser judia. Não sei o que há de bom nessa coisa supérflua que há em mim”. Essa “coisa supérflua”, no entanto, está na essência da memória reelaborada por Appelfeld.


Pelos olhos do menino, o leitor conhecerá um pai esportista, cético e racional em confronto sutil com a mãe flexível e inquiridora. Outros personagens frequentam o cenário: um homem diabético que teve sua perna amputada, uma bela garota desiludida amorosamente, um médico abnegado, uma vidente, um escritor às voltas com as exigências do ofício, um ex-socorrista do exército, uma senhora que na juventude desprezou o cortejo de um príncipe.


O exercício de perscrutar e refazer memórias e o reforço das características econômicas do idioma hebraico trazem à literatura de Appelfeld seus traços únicos. O tradutor e autor do posfácio da edição da CARAMBAIA, Luis S. Krausz, professor de literatura hebraica e judaica da Universidade de São Paulo, descreve a maestria do escritor: “Seu estilo é sempre marcado pela sutileza, pela reticência e estabelece com o leitor um jogo tácito, já que este sabe de coisas que os personagens ignoram. Dessa forma, a literatura de Appelfeld torna-se, também, uma história da catástrofe narrada pelo avesso. Ele fala do genocídio justamente ao não falar do genocídio”.


Aharon Appelfeld nasceu nos arredores de Czernowitz, hoje na Ucrânia e então na Romênia. Seu pai era industrial, e a família fazia questão de falar alemão em vez do ídiche utilizado pelos judeus mais pobres. Quando os soldados alemães chegaram à cidade, mataram centenas de judeus, entre eles a mãe de Appelfeld. Ele e o pai foram levados a um campo de trabalhos forçados, do qual o escritor conseguiu fugir para as florestas da Ucrânia, sempre escondendo o fato de ser judeu, o que poderia lhe custar a vida. Com a libertação, Appelfeld, aos 12 anos, juntou-se ao exército russo, trabalhando em cozinhas de campanha.


Com o fim da guerra, viajou para um campo de refugiados na Itália e de lá rumou para a Palestina. Aos 17 anos, ingressou no exército israelense, quando começou a estudar literatura e filosofia, tentando, como declarou depois, encontrar a si mesmo. O esforço foi acompanhado pelo estudo do hebraico, totalmente desconhecido até sua chegada. A capa da edição da CARAMBAIA, desenhada por Daniel Justi, faz referência a esses anos, misturando caracteres latinos e hebraicos. 


O primeiro livro de Appelfeld, Ashan (Fumaça), foi publicado em 1962, e seguiram-se mais de quarenta títulos, entre eles Badenheim 1939 (1975), Volta ao anoitecer (1996) e Expedição ao inverno (2000). O escritor recebeu prêmios em todo o mundo e é um sucesso de vendas em Israel, embora tenha observado que seus leitores não são os sobreviventes do Holocausto, mas seus filhos. Appelfeld também aparece como personagem do romance Operação Shylock, de Philip Roth. 



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