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Gustav Meyrink

Nascido em Viena em 1868, Gustav Meyrink era filho ilegítimo de um barão e ministro de Estado. Seu sobrenome de batismo, Meyer, vem da mãe, a atriz Maria Meyer. Aos 15 anos, mudou-se com a mãe para Praga, onde viveu por vinte anos. Ainda muito jovem fundou um banco com um sócio. Aos 24 anos, teria ocorrido um episódio que o próprio Meyrink narrou no conto O piloto. Ele se encontrava em seu quarto, a ponto de cometer suicídio com um tiro na cabeça, quando passou por baixo da porta uma publicação intitulada Vida após a morte. Além de fazê-lo desistir do suicídio, a leitura do texto teria provocado seu interesse pelo ocultismo e pelas religiões orientais, cultivado até a morte.

Meyrink foi um praticante dedicado do ioga e membro da Sociedade Teosófica de Helena Blavatsky. Em 1902, o escritor foi preso por dois meses e meio sob acusação de fraude no banco, que estaria administrando sob orientação de “forças espirituais”. Enquanto publicava contos caracterizados pelo olhar satírico e o antimilitarismo, atuou como tradutor e editor. "O Golem" saiu em 1913 em forma seriada na revista Die Weissen Blätter. Quando publicado em livro, o sucesso foi estrondoso, com 250 mil cópias vendidas. Sua produção a partir daí foi igualmente bem recebida, em especial o romance "O rosto verde". Meyrink morreu em 1932, seis meses depois que seu filho, paraplégico por causa de um acidente de esqui, se suicidou.

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O Golem

Gustav Meyrink

Disponível: Em estoque

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Ficha Técnica

Dimensão 13,5 x 23,5 cm
Idioma Português
ISBN 978-65-86398-17-5
Número de páginas 304
Peso 485 g
Ano de publicação 2020
Acabamento e encadernação Capa dura com laminação e verniz texturizado
Tiragem 1.000

Sinopse

Envios a partir de 18/01.



Clássico da literatura fantástica, O Golem, de Gustav Meyrink (1868-1932), provocou entusiasmo em autores como H. P. Lovecraft e Jorge Luís Borges, que o definiu como “romance onírico”. Depois de um bom tempo ausente em edição brasileira, o livro é lançado agora pela CARAMBAIA com tradução do original em alemão por Petê Rissatti e posfácio de Luiz S. Krausz, escritor e professor de Literatura da Universidade de São Paulo.



O Golem é uma criatura antropomórfica do folclore judaico, feita por mãos humanas a partir do barro. Como informa Krausz no posfácio, a lenda tem raízes no Talmude e está presente em tratados de filósofos judeus da Idade Média. Entretanto, o Golem conhecido fora dos círculos religiosos foi o personagem gigantesco que teria sido criado em Praga pelo rabino cabalista Yehuda Löw (1525-1609) para defender a comunidade judaica de ataques antissemitas. O rabino lhe dava vida ao inserir na boca um papel com a palavra hebraica emet (verdade). De acordo com a lenda, que atraiu o interesse de escritores românticos tardios no século XIX, o Golem acaba se voltando contra o criador.



É o Golem de Praga que dá título ao romance do austríaco Meyrink, publicado em 1915. Sua presença direta na trama é uma entre numerosas referências a tradições místicas e ocultistas, mas tem grande importância simbólica. É uma espécie de força irracional e destruidora que paira sobre as intrincadas vivências do personagem central, Athanasius Pernath, mestre joalheiro cujo passado é obscuro até para ele mesmo. Pernath vive no bairro judeu de Praga, onde se passa a maior parte da história. Um dos aspectos mais impressionantes do texto de Meyrink é a descrição desse ambiente lúgubre, de pouca luz natural, onde as construções angulosas parecem se amontoar, povoadas de figuras estranhas que habitam suas vielas, corredores, escadas e passagens ocultas.



Entre essas figuras há personagens assombrosos: um sinistro vendedor de ferro-velho, uma esquálida prostituta adolescente, um surdo-mudo que recorta silhuetas em papel, um sábio versado no conhecimento religioso e sua filha encantadora, um marionetista e um jovem estudante com missão de vingança. Pernath se envolve em questões essenciais da vida desses personagens enquanto persegue uma busca da própria identidade por meio de indagações espirituais. Toda a narrativa é atravessada pelo tema do duplo, marcante também na obra de escritores como Robert Louis Stevenson, Fiódor Dostoiévski e Edgar Allan Poe e que mereceu a atenção de Sigmund Freud. Os estudos do inconsciente pelo pai da psicanálise, então em andamento, encontram-se refletidos na fluidez narrativa de O Golem, em que realidade, sonho e alucinação convivem sem limites precisos.



O ecletismo e o mistério também são marcas da biografia de Meyrink, que não era judeu. O sobrenome com que foi batizado era Meyer, vindo da mãe, a atriz Maria Meyer. Nascido em Viena em 1868, Meyrink era filho ilegítimo de um barão e ministro de Estado. Aos 15 anos, mudou-se com a mãe para Praga, onde viveu por vinte anos. Ainda muito jovem fundou um banco com um sócio. Aos 24 anos, teria ocorrido um episódio que o próprio Meyrink narrou no conto O piloto. Ele se encontrava em seu quarto, a ponto de cometer suicídio com um tiro na cabeça, quando passou por baixo da porta uma publicação intitulada Vida após a morte. Além de fazê-lo desistir do suicídio, a leitura do texto teria provocado seu interesse pelo ocultismo e pelas religiões orientais, cultivado até a morte. Meyrink foi um praticante dedicado do ioga e membro da Sociedade Teosófica de Helena Blavatsky.



Em 1902, o escritor foi preso por dois meses e meio sob acusação de fraude no banco, que estaria administrando sob orientação de “forças espirituais”. Enquanto publicava contos caracterizados pelo olhar satírico e o antimilitarismo, atuou como tradutor e editor. O Golem saiu em 1913 em forma seriada na revista Die Weissen Blätter. Quando publicado em livro, o sucesso foi estrondoso, com 250 mil cópias vendidas. Sua produção a partir daí foi igualmente bem recebida, em especial o romance O rosto verde. Meyrink morreu em 1932, seis meses depois que seu filho, paraplégico por causa de um acidente de esqui, se suicidou.



Em 1920, o cineasta Paul Wegener anunciou seu terceiro filme sobre o Golem como uma adaptação do livro de Meyrink, embora as semelhanças fossem vagas. A obra, codirigida por Carl Boese, tornou-se um dos marcos do cinema expressionista alemão. Outros filmes, peças de teatro e óperas se basearam na lenda do Golem, inspirados ou não no romance de Meyrink, entre eles um dos mais brilhantes poemas de Borges, intitulado O Golem.



A edição da CARAMBAIA sai em versão digital e em edição numerada de 1.000 exemplares, com projeto do estúdio Bloco Gráfico, que faz referência tipográfica ao expressionismo e ao movimento Plakatstil de design de cartazes. Na capa, o desenho do título representa a criatura da lenda judaica em suas imensas proporções.



Tradução: Petê Rissatti 


Posfácio: Luiz S. Krausz


Projeto gráfico: Bloco Gráfico

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