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Robert Musil

Robert Musil (1880 - 942) nasceu na Áustria e se tornou um dos mais importantes romancistas modernos. Ao lado de Franz Kafka, Marcel Proust e James Joyce forma o grupo dos grandes prosadores do século XX. Da sua obra destaca-se "O homem sem qualidades" e o romance de formação "O jovem Törless", publicado em 1906.

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O papel mata-moscas e outros textos

Robert Musil

Disponível: Em estoque

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Ficha Técnica

Dimensão 12,5 x 21 cm
Idioma Português
ISBN 978-85-69002-44-4
Número de páginas 180
Peso 230 gramas
Ano de publicação 2018
Acabamento

Capa dura com serigrafia 

Tiragem 1000

Saiu na imprensa

O GloboCrítica: Mais citado do que lido, escritor Robert Musil ganha ótima introdução à sua obra, por Antônio Xerxenesky - 13/10/2018

Revista ConcertoRobert Musil, um artista e seu tempo, por João Marcos Coelho - 01/11/2018

Sinopse

Em O papel mata-moscas e outros textos, a CARAMBAIA reúne narrativas de extensões variadas, mas predominantemente curtas, do austríaco Robert Musil (1880-1942), autor de dois romances célebres que marcaram o início e o fim de sua carreira literária, O jovem Törless (1906) e o monumental Um homem sem qualidades (1930-1943). Escritor filosófico por excelência, Musil imprimiu em toda sua obra uma inquietação diante do papel do indivíduo e da massa em um mundo em conflagração.



A seleção de textos forma um prisma multifacetado do pensamento de Musil. O escritor Marcelo Backes, que organizou, traduziu e é autor do posfácio de O papel mata-moscas e outros textos, considera o volume uma “realização parcial” da ideia de uma coletânea planejada por Musil pouco antes de morrer. Compõem o livro quatro contos, três ensaios (um deles sendo uma discussão ficcional sobre a própria obra do escritor), quatro textos que podem ser considerados aforismos longos e uma coletânea de aforismos curtos.



A aparência de miscelânea não esconde a recorrência metódica dos temas favoritos de Musil. O escritor – que lutou na Primeira Guerra Mundial e morreu pobre na Suíça, onde se refugiou do nazismo depois da anexação da Áustria pela Alemanha – parece ter acompanhado minuciosamente, em sua literatura esparsa, o progressivo desastre civilizatório no coração da Europa. Isso é perceptível na descrição ao mesmo tempo brutal e minuciosa contida no conto que dá título à coletânea da CARAMBAIA, escrito antes dos dois conflitos mundiais.




Em “Sobre a estupidez”, ensaio derivado de uma conferência, Musil procede a uma implacável investigação que, embora não destituída de ironia, contempla com profunda seriedade a balbúrdia de convicções no mundo intelectual de seu tempo. Sobressaem nesse texto o retrato da falência iminente dos valores em que se baseiam os pactos sociais e os evidentes limites da razão. Com esses temas, Musil se aproxima de muitos de seus contemporâneos de escrita em língua alemã, de Kafka a Walser, de Thomas Mann a Hermann Hesse, de Benjamin a Freud. Seu estilo desafiador, no entanto, é único, o que levou Mann a lhe dizer em uma carta: “Não há outro escritor alemão vivo de cuja permanência eu tenha tanta certeza”. E, de fato, diz o organizador Marcelo Backes: “‘Sobre a estupidez’ é tão atual que, para um analista agudo, seu princípio poderia se dirigir a vários governos e regimes instaurados hoje pelo mundo afora”.



Robert Musil nasceu em Klagenfurt, filho de um engenheiro e professor universitário que viria, mais tarde, a receber o título de nobreza Egler, que o escritor herdou mas nunca utilizou literariamente. Aos 10 anos foi encaminhado pelo pai para a Escola Militar de Eisenstadt.  Aos 17, chegou à Academia Militar de Viena. Um ano depois abandonou a carreira militar e passou a estudar engenharia. Depois de formado, cursou filosofia e psicologia experimental na Universidade de Berlim, onde se doutorou. Em 1906, publicou O jovem Törless, inspirado em seu período no internato militar. Trabalhou nos anos seguintes como bibliotecário e editor enquanto se dedicava à literatura.



De 1914 a 1918, Musil participou ativamente da Primeira Guerra Mundial, na condição de oficial de infantaria, e foi condecorado por bravura. Em plena guerra, Musil encontrou tempo para visitar Franz Kafka, escritor que tinha em alta conta, em Praga. Com o fim do conflito e o colapso do Império Austro-Húngaro, Musil se estabeleceu em Viena e alternadamente em Berlim. Deu prosseguimento à carreira literária, com contos e peças de teatro.




Entre 1930 e 1933, publicou dois volumes de O homem sem qualidades, totalizando mais de mil páginas. A parte restante do romance, em que um ex-matemático testemunha o colapso do Império Austro-Húngaro na Viena anterior à Primeira Guerra, só viria à luz em 1943. Durante a década de 1930, empobrecido, Musil recebeu ajuda financeira de colegas escritores, por iniciativa de Thomas Mann. Com a ascensão do nazismo, que baniu seus livros, Musil, casado com uma judia, se refugiou na Suíça em 1938. Viveu em Zurique e em Genebra, onde morreu depois de um derrame, aos 61 anos.



Durante anos a obra de Musil permaneceu em relativa obscuridade até ser redescoberta no início dos anos 1950, quando começou a ser traduzida para outros idiomas. No Brasil, Um homem sem qualidades só chegou em 1986. A recepção crítica aos livros de Musil raramente deixa de mencionar seu caráter provocativo e denso, corroborando a frase do próprio escritor: “A imortalidade da obra de arte é seu caráter indigesto”.



O projeto gráfico de O papel mata-moscas e outros textos é de Daniel Trench e traz como ilustração de capa e de páginas interiores algumas moscas – e suas sombras – criadas pela artista Regina Silveira (Porto Alegre, RS, 1939).





Tradução: Marcelo Backes


Projeto gráfico: Daniel Trench


Ilustrações: Regina Silveira

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